Qual a melhor versão da Bíblia?



Se você está querendo entender melhor a Bíblia mas tem dificuldade de escolher qual versão ou tradução usará para ler e estudar, meu objetivo é te ajudar a tomar a melhor decisão.

Existem muitas versões da Bíblia em português. De acordo com o site abiblia.org são, pelo menos, 29 versões bíblicas em português (sem contar as edições de cada versão). Isso pode deixar qualquer um perdido ao tentar escolher uma Bíblia para ler. Qual a melhor versão da Bíblia? Realmente faz alguma diferença se preocupar com a questão da versão? Não posso confiar em qualquer versão?


Não sou da mesma opinião da maioria dos textos que encontrei sobre o assunto. Entendo que existe sim uma versão que se destaca como a melhor que temos em português. Porém, chego a esta conclusão ao levar em consideração uma série de fatores como os manuscritos escolhidos, a metodologia de tradução e outros aspectos necessários para fazer de uma versão bíblica uma boa versão.


No entanto, entendo igualmente que as várias versões bíblica podem ser de grande ajuda em diferentes situações. Se sua intenção é ter uma visão geral da Bíblia, existem versões que são melhores para este objetivo, se sua intenção é buscar a melhor tradução das palavras outras versões serão melhores, se sua intenção é uma Bíblia baseada nos melhores manuscritos a versão escolhida pode ser outra.


Existem pelo menos dois fatores que tornam diferentes as versões bíblicas:

1 — O texto original escolhido.

2 — A metodologia de tradução.


Embora eles estejam relacionados é importante que você entenda estes fatores separadamente.


A questão do texto original.


Não quero entrar nos detalhes mais técnicos e acadêmicos do tema, apenas vou descrever de forma introdutória, e espero não ser reducionista.


Existem pelo menos duas grandes escolas de pensamento sobre a questão do texto original. Uma escola de pensamento defende que o melhor texto original (grego e hebraico) é aquele reconstruído com base nos manuscritos mais antigos (texto minoritário). O trabalho de reconstruir o texto bíblico com base nesta ideia é feito hoje principalmente pela Sociedade Bíblica Alemã que publica uma versão do Antigo Testamento em hebraico e do Novo Testamento em grego. A publicação da Sociedade Bíblica Alemã é usada como o texto original da grande maioria das versões bíblicas em português.


A outra escola de pensamento defende que o melhor texto original é aquele que é reconstruído com base na maioria dos manuscritos (texto majoritário). Juntamente com esta escola de pensamento estou incluindo os eruditos que defendem o texto autorizado, isso é, o Textus Receptus para o Novo Testamento e o Massorético para o Antigo Testamento. Hoje a principal instituição que publica este texto é a Sociedade Bíblica Trinitariana.


No Brasil temos apenas uma versão bíblica que segue os conceitos da escola do Texto Majoritário, ou mais precisamente, do Texto Autorizado, que é a Almeida Corrigida Fiel (ACF).


Todas as outras versões bíblicas (até onde conheço) seguem a versão do Texto Minoritário (ou texto crítico).



A questão do método de tradução.


O segundo fator que deve ser conhecido para escolher uma boa versão é a metodologia de tradução do texto bíblico. Neste caso só haverá uma diferença entre as traduções do Texto Minoritário.


Por sua vez, temos duas formas de classificar as traduções:

1 — Equivalência dinâmica;

2 — Equivalência formal;


Observe, no entanto, que não estou considerando aqui as versões classificadas como paráfrases. Não o faço, pois não considero que seja uma versão muito útil para quem está começando seus estudos na Bíblia ou começando a caminhada cristã.


Assim temos que equivalência dinâmica é o método que está mais preocupado em traduzir o sentido de uma frase do que exatamente todas as palavras. Nestas traduções a leitura geralmente é mais fluida pois há mais adequação à nossa língua e isso certamente facilita a compreensão. Por outro lado, nestas versões existe um maior toque de interpretação dos tradutores e o impacto de determinadas palavras pode ser perdido.


Já a equivalência formal é o método que está mais preocupado com a precisão da tradução, por isso procuram traduzir todas as palavras, mesmo que o texto fique um pouco mais complexo de se entender. Geralmente estas versões têm um vocabulário mais extenso e formas gramaticais não muito comuns em português e esta é uma das dificuldades encontradas nestas versões. Por outro lado nestas versões termos maior precisão na tradução e um menor grau de interpretação do texto.


Muitas versões ainda tentam equilibrar seus métodos entres a equivalência formal e a equivalência dinâmica, como é o caso da Almeida Revista e Atualizada (ARA).



Mas então, qual é a melhor?

Como toda pergunta complexa tem respostas mais evasivas, assim responderei: depende!

Realmente acredito que esta diversidade é boa para o cristão e a melhor versão vai depender dos seus objetivos. Então listarei as que EU considero como as melhores versões para os seguintes objetivos: (1) ler a Bíblia pela primeira vez; (2) ter uma visão geral da Bíblia; (3) preparar um estudo bíblico.



1 — Ler a Bíblia pela primeira vez.


Bem, se você já tentou ler a bíblia toda algumas vezes na sua vida, mas nunca passou de Gênesis ou Êxodo porque começou a ficar confuso, ou foi se desmotivando por não ter um hábito de leitura, então eu sugiro que você comece com a versão Nova Tradução na Linguagem de Hoje, da Sociedade Bíblica do Brasil.


A NTLH é uma versão que pode também ser classificada como paráfrase pelo seu grau de liberdade na tradução. Porém, diferente de outras paráfrases que geralmente são temáticas e mais parecem um comentário devocional que uma tradução, a NTLH se propõe a ser mesmo uma tradução. Foi traduzida dos originais grego e hebraico, porém com maior foco no sentido do que nas palavras (método equivalência dinâmica) e com o objetivo de fazer um uso limitado de verbetes (4000), o que deixa a leitura muito fácil.


Para se começar e se buscar ter um apreço pela leitura e pelas Escrituras, esta é a melhor opção em minha opinião.


2 — Ter uma visão geral da Bíblia.


Bem, aqui ainda existem duas possibilidades. Se você já leu a Bíblia alguma vez, é uma pessoa que gosta de ler, e seu objetivo é aprofundar seu conhecimento geral das Escrituras, eu indico fazer uma leitura completa da Bíblia na versão RA ou RAA. Isso porque esta é a versão mais comum no meio evangélico, tem texto razoavelmente simples de compreender e ainda mantém algumas expressões relativas à época da escrita como “denário”, “soldo”, “centurião” e etc.


Se você ainda não está acostumado com o texto bíblico, e acabou de ler a Bíblia na versão NTLH, então sugiro que você faça uma leitura panorâmica na versão NVT ou NVI. Neste caso, eu prefiro a NVT, que é uma versão mais ligada ao português, à NVI.

Para esta leitura, recomendo que você faça uso de algum plano de leitura mais curto. Não há necessidade de ler todos os capítulos da Bíblia.


3 — Preparar um estudo bíblico.


Se seu objetivo é fazer estudos mais aprofundados, seja para uso pessoal, seja para se preparar para ensinar a outras pessoas, então recomendo a versão Almeida Corrigida Fiel (ACF). Esta é a versão que melhor aplica a equivalência formal e se baseia nos manuscritos majoritários. Ou seja, nesta versão você terá a garantia de que todas as palavras foram traduzidas, mesmo que isso dificulte um pouco a leitura.


Quando se prepara um estudo bíblico é importante fazer uma comparação de versões, mas minha sugestão é usar a versão da ACF como base do estudo. Nela seu estudo de palavras e toda a análise gramatical obterá melhor qualidade.


Estão são minhas dicas sobre as versões da Bíblia. Espero ter ajudado.

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