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As muitas pessoas que conheciam Charlotte Mason pessoalmente, amavam-na profundamente e eram capazes de descrevê-la em vívidos detalhes. Quer tenham-na conhecido ainda jovem ou perto do fim, as suas impressões sobre ela eram muito consistentes. Jovens e velhos igualmente achavam-na inspiradora, humorística e humilde.

Seu amor pelas crianças era tão evidente que não podia ser ignorado, e muitas vezes era visto como seu atributo mais profundo. Este amor se caracterizava por uma profunda preocupação de que as crianças desenvolvessem uma paixão duradoura pela aprendizagem.

Notavelmente, Charlotte Mason desenvolveu seus insights educacionais ainda durante a juventude, e mais surpreendente é o fato de que após décadas trabalhando com crianças e usando com elas suas ideias, ela não hesitou em sua filosofia.

Não se pode pensar em Charlotte como uma mulher intocada, cercada por rendas e parafernálias de chá. Certamente podemos imaginá-la com um resistente par de botas enlameadas, e algum tipo de roupa sensata que a equipasse para o campo. Suas frequentes caminhadas pela paisagem inglesa, em todos os tipos de clima, são bem documentadas. É certo que ela era tão feminina como qualquer outra dama, mas podemos visualizá-la deixando de lado as fitas de renda e outras pompas desnecessárias enquanto estava ao ar livre. “O ambiente real, os livros, as fotos, o mobiliário simples e as flores silvestres para decorações eram, em si mesmos, uma revelação, naqueles dias em que o mundo vivia imerso em uma multidão de tesouros ancestrais ou na indizível hediondez da era vitoriana” (Charlotte Mason College, p.17).

Charlotte, no entanto, passou grande parte de sua vida doente, e muitos dos que escreveram sobre ela pensaram que deveriam incluir observações sobre sua saúde. Uma das descrições mais tocantes foi escrita por Household. Ele afirma:

Os dias passados com ela eram memoráveis. Quando você a via, sabendo que ela tinha sido uma inválida por muitos anos, e deve ter sofrido muito, talvez você procuraria por marcas de dor, cansaço, fraqueza, mas não encontrava nenhuma. Depois de uma hora com ela, você nem pensava mais nisso. Você nem sequer percebia que ela era idosa ou que era frágil e fraca. Ela, silenciosamente, afastava sua dor e sua idade e você só permanecia consciente do que ela tinha a oferecer: seus talentos. Não parecia que lhe faltava nada. Seu rosto estava sempre cheio de luz, grande simpatia, compreensão, humor delicado, gentileza e amor. Ao caminhar ao seu lado, ela era capaz de despertar o melhor que havia em você, algo que você nem sabia que existia. Isso é um talento raro. Ela te elevava até o nível dela e você nunca mais regressava dali. Ela lhe dava nova luz, novo poder. Ela esperava muito de você, é claro, talvez mais até do que você sabia que tinha a oferecer. Mas, como sempre, ela estava certa. Você tinha, e você oferecia. E, claro, ao oferecer, você recebia de volta. Seu poder de inspirar profunda afeição pessoal nos corações de muitos que nunca a viram foi notável. Ela não conseguia ser nada além de generosa. As ideias de sua mente eram abrangentes, no entanto, ela não fazia você se sentir pequeno ou tolo, você não mordia o lábio, nem ficava vermelho de raiva. Ela te elevava e te inspirava. Ela não dirigia, ela liderava e você ia com ela por escolha própria. Em qualquer dificuldade ela sempre via um caminho certo. Com poucas palavras, sempre perfeitamente escolhidas, mas que surgiam naturalmente, sem nenhum traço de esforço, ela dizia o que você sabia ser a coisa certa, embora tivesse tateado por muito tempo e não tivesse encontrado. Esse ainda não é o momento de me medir toda a sua realização. A colheita ainda não chegou. Mas há suficiente para justificar a convicção de que a posteridade verá nela uma grande reformadora, que conduziu os filhos da nação de um deserto estéril para uma rica herança… os filhos de muitas gerações agradecerão a Deus por Charlotte Mason e seu trabalho “.

Isso certamente se tornou realidade. As pessoas ficam verdadeiramente gratas quando veem os benefícios em seus filhos e sua capacidade de aprender. Um dos alunos de Charlotte escreveu sobre ela: “De algum modo, em sua presença, a mediocridade e a mesquinhez ruíam, você passava a acreditar e se esforçar para alcançar o mais alto que pudesse. E não só isso – você aprendia a acreditar na bondade e alegria da vida. Você sentia que, no fundo de todo o ensinamento da senhorita Mason, havia uma filosofia de vida baseada na intensa convicção da relação pessoal de cada alma individual com Deus – uma relação que é a base de toda a alegria na vida”.

Charlotte morreu dormindo, e seu funeral foi descrito por uma de suas alunas da seguinte forma: “Nós caminhamos em procissão, as crianças da escola seguiam o mais próximo possível, com flores nas mãos, a equipe e os alunos da faculdade seguiam de dois em dois, carregando as coroas, deixando lentamente o portão e entrando no vilarejo. O vento e a chuva sopravam frios desde o lago, e as pessoas observavam de suas portas, os homens tiravam os chapéus e as mulheres cuidavam de nós enquanto caminhávamos para a igreja. Nós colocamos as flores ao lado do túmulo e saímos um por um. O túmulo parecia extremamente pequeno como lugar de repouso daquele grande espírito”.

Um livro inteiro foi dedicado a lembranças como esta. Charlotte Mason foi muito amada e sua partida foi profundamente sentida por seus amigos e conhecidos. Ela foi enterrada na Igreja Paroquial de Santa Maria, em Ambleside, e a lápide diz: “Em amorosa memória de Charlotte Maria Shaw Mason, nascida em 1 de janeiro de 1842, morta em 16 de janeiro de 1923, seus olhos verão o Rei em Sua beleza. Fundadora do Sindicato Nacional Educacional dos Pais, da Escola da União de Pais e da Casa da Educação. Ela dedicou sua vida ao trabalho da educação, acreditando que as crianças são caras a nosso Pai celestial, e que elas são uma preciosa possessão nacional. A educação é uma atmosfera, uma disciplina, uma vida. Eu sou, eu posso, eu devo, eu vou. Por amor às crianças”.